Um dia eu me vi preso em uma cidade de interior. Estava fazendo faculdade, e para meu desespero na faculdade tinha apenas os cursos de Engenharia (todas), Física e Matemática. E era a única faculdade em uma cidade pequena. Até hoje tenho pesadelos com as classes, onde você olhava para os lados e tinha 40 homens e 2 caras. Rumores diziam que os dois caras eram na verdade garotas, terrivelmente deformadas pelas adversidades do curso de engenharia, mas na minha opinião era desleixo mesmo, afinal, pra que elas teriam qualquer cuidado se o desespero dos garotos chegava ao ponto que elas nunca ficavam sozinhas nas festas de república? Na faculdade tinha algumas garotas bonitinhas, mas com uma concorrência de 350:1 não era nada fácil.
Eu criei uma teoria a esse respeito, caso conseguisse desenvolver um modelo matemático poderia ter sido o tema do meu TCC. A teoria é a seguinte:
As garotas entravam na faculdade recém saídas do colégio/cursinho então na sua grande maioria elas estavam em boa forma, mesmo considerando que eram garotas de exatas. Ao chegar em uma faculdade do interior, longe dos pais e de qualquer responsável e cercada de uma multidão de homens elas simplesmente se deixavam relaxar. Já os rapazes sofriam o processo inverso, quanto mais tempo eles estavam na faculdade, mais em forma e arrumados eles ficavam. Muitos futuros engenheiros deixaram a faculdade no quinto ano para se tornarem modelos.
Na faculdade eu aprendi a beber. Afinal o que mais se poderia fazer quando se mora em uma república com 15 homens e tudo na cidade fechas as 18:00h?? Então era certo que a muitas das minhas noites seriam em torno de uma garrafa, fosse ela de cerveja, vodka, cachaça, tequila ou qualquer coisa rustica dessa natureza. Esqueça os drinks, nada sofisticado, era álcool mesmo. E eu sempre escutava pessoas falando dos famosos "brancos" quem não escutou aquele amigo(a) dizendo -'Nossa, eu não lembro de nada na noite passada.' e você simplesmente pensou algo do tipo "sei sei, sua vadia... deu pra todos e agora magicamente você não lembra. Piranha". Eu sempre duvidei, achava que era papo pra justificar o que quer que seja que a pessoa tenha feito. Mas um dia eu descobri que era verdade.
Todo ano tinha uma grande festa na faculdade. E a nossa festa na república começou horas antes da festa em sí, depois de horas bebendo tinha chego o momento de ir para a festa, então cada um de nós levou sua provisão de caipirinha em garrafinhas de 500mL, que consistia em 490 mL de vodka barata, meio limão espremido e.... eu não lembro se tinha açúcar. Acho que a gente economizou nesse item. E lá fomos nós! E pela primeira vez na minha vida eu tive flashes de consciência. Eu lembro de ir para festa, lembro de falar com algumas pessoas, lembro de ser carregado de volta pra casa, lembro de olhar pra cima e ver a água do chuveiro caindo e lembro de acordar vomitando na minha cama. Dia seguinte eu acordei de cueca, caido no chão ao lado do sofá da sala com a Dona Cida, a diarista de 60 anos me cutucando com o aspirador de pó e gritando -'Vai estudar menino, os outros já foram pra faculdade! Larga essa vida e abraça jesus!'. Eu olhei pra ela e disse -'Não grita, e tá, eu abraço esse cara, cadê ele?' e mesmo com uma ressaca monstro eu fui para a faculdade.
Chegando na faculdade todos me olhavam com aquela expressão "Ahh e não é que você está vivo?". E encontrei um grupo de amigos e nesse grupo tinha 2 garotas que eu tinha uma certa amizade e assim que eu cheguei... silêncio. Eu cumprimentei os rapazes e quando ia cumprimentar as garotas, as duas simultaneamente viraram as costas e foram embora. Eu olhei para um amigo a minha esquerda e disse -'O que bicho mordeu elas?' e ele me olhou com uma cara de surpresa e respondeu -'Ué? você não lembra de ontem? Você que mordeu elas.' .... não, meu colega, eu não lembro de ontem. Aliais, minha última lembrança foi chegar na festa, oferecer um pouco da minha garrafinha a um outro amigo. E ele pegou a garrafa, cheirou e disse -'Mas nem morto eu bebo isso aqui! Que merda é essa? Álcool de posto?!?' e eu peguei a garafa de volta e bebi como se fosse água.
Mais tarde eu descobri o que eu tinha dito para elas. Durante a festa e bem depois da minha consciência ter dito "bye bye and fuck you" e ido dar um passeio, tinha um grupo de pessoas conversando, eu cheguei olhei bem para uma delas e praticamente gritei para o cara do meu lado -'Ahh é a Amanda! Poutz, ela é muito gente boa cara, pena que é uma vadia' e olhei pra outra e completei -'Ha! E falando em vadia, olha quem tá aqui! A rainha de todas as biscates. Essa nem gente boa dá pra dizer que é... é simplesmente piranha.'
O que eu poderia dizer? Elas eram vadias. E eu quando bebo fico brutalmente honesto. Acho que a minha sorte é que naquela noite nenhuma delas estava acompanhada dos respectivos clientes, caso contrário eu teria tomado uma surra.
Dia seguinte eu estava escutando uma música do Lit - My Own Worst Enemy. E tem um trecho que é assim: "Can we forget about the things I said when I was drunk... I didn't mean to call you that." ... realmente.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
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Coragem sem cérebro é o mesmo que uma ferrari sem freio.
ResponderExcluirhuauhauhauhauha
Porre de Wodka é foda mesmo, é um perigo, vc. pode aprontar todas e nao se lembrar de nada no dia seguinte!!!!!!!!!!!!
ResponderExcluirEu sie do que estou "falando"!!!!!!!!!!!!